quinta-feira, 5 de maio de 2011

Espantado com a política?Pois você não é inocente!

O ser humano tem a tendência de atribuir a outrem as razões de suas mazelas e os males que promovemos estão sempre sendo justificados por nossas atitudes desculpistas.
Se acontece um desabamento afirmamos que "inocentes perderam tudo!" Sem anotar a contribuição que os "inocentes" favoreceram ao se estabelecerem em área de risco.
Se uma bala perdida atingiu alguém corremos a dizer que "morreu um inocente". Deixamos de analisar o quanto nos omitimos com relação a complexidade do assunto.
Se um escândalo atinge o cenário nacional julgamos indistintamente a todos os políticos atribundo adjetivos tais como:corruptos,ladrões,etc...
Contudo a realidade é bem diferente. Se estamos enojados com a política nós precisamos fazer primeiro o julgamento de nossas atitutes e de nossas omissões. Se nossos parlamentares agem de forma incorreta precisamos deixar claro que nós os autorizamos a agir em nosso nome. Se não acompanhamos o seu mandato nós estamos contribuindo para que isto ocorra. E pior, passados alguns dias da eleição nem mesmo nos lembramos de quem votamos.
Se você está espantado com a política, não fique, pois você não é inocente.

terça-feira, 3 de maio de 2011

NAVIO NEGREIRO

Um dos mais conhecidos poemas da literatura brasileira, O Navio Negreiro – Tragédia no Mar foi concluído pelo poeta em São Paulo, em 1868. Quase vinte anos depois, portanto, da promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de escravos, de 4 de setembro de 1850. A proibição, no entanto, não vingou de todo, o que levou Castro Alves a se empenhar na denúncia da miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica. É preciso lembrar que, em média, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completavam a viagem com vida.

Composto em seis partes, o poema alterna métricas variadas para obter o efeito rítmico mais adequado a cada situação retratada. Assim, inicia-se com versos decassílabos que representam, de forma claramente condoreira, a imensidão do mar e seu reflexo na vastidão dos céus:

“’Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar – dourada borboleta;
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro…
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro…

‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas…

Notem que o poema se inicia com a supressão da vogal E inicial da palavra Estamos, grafada ‘Stamos para que o poeta forme um verso decassílabo. É um recurso tipicamente romântico: a expressão suplanta o cuidado formal.

Na segunda parte do poema, composta em versos redondilhos maiores (heptassílabos), ao seguir o navio misterioso, pedindo emprestadas as asas do albatroz, o eu lírico escuta as canções vindas do mar. Ao se aproximar, na terceira parte, em versos alexandrinos, o eu lírico se horroriza com a “cena infame e vil”, descrita na quarta parte do poema, através de versos heterossílabos, alternando decassílabos e hexassílabos:

Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais …
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

Na quinta parte, novamente em heptassílabos, o poeta faz um retrocesso temporal, descrevendo a vida livre dos africanos em sua terra. Cria, assim, um contraponto dramático com a situação dos escravos no navio. Na última estrofe Castro Alves retoma os decassílabos do início para protestar com veemência contra a crueldade do tráfico de escravos:

Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…

Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!

Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

(Copiado descarada mas justificadamente do site Casa do Bruxo)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

REFORMA POLITICA

No Brasil, costumamos condicionar a solução de problemas a um mítico conceito de reforma, que consiste em elidir completamente a ordem pretérita e instituir uma nova realidade. Não se tem clareza quanto à natureza e amplitude dos problemas, muito menos consenso sobre o que minimamente se deva fazer.

Ainda assim, as “reformas” são a panaceia para problemas políticos, tributários, previdenciários, trabalhistas ou qualquer outro que propicie um adjetivo conveniente para a palavra reforma.

Em lugar de buscar soluções para problemas específicos, opta-se por aguardar uma abrangente reforma, que somente prospera em ocasiões excepcionais, como rupturas da ordem institucional, catástrofes, guerras, etc.

Reformas devem ser tidas como processo permanente, porque as circunstâncias mudam e os modelos inevitavelmente se tornam obsoletos.

Os debates sobre a reforma política gravitam em torno do financiamento das campanhas e dos sistemas eleitorais (voto distrital, distrital misto, majoritário ou em lista fechada, em contraposição ao vigente sistema proporcional).

Não há soluções universais para o tema. Cabe tão somente evitar regras francamente inconsistentes, como a coligação em eleições proporcionais, ou as que ofendem a ordem constitucional, como a votação em lista fechada, em princípio, ofensiva à cláusula pétrea que prescreve o voto direto.

EVERALDO MACIEL - EX MINISTRO DA FAZENDA

PRIMEIRO DE MAIO DE 2011.

Internacionalmente comemorado, o dia primeiro de maio, para muitos é o dia do trabalhador.
No meu caso em especial, a data representa a chegada ao Pará, mais especificamente a capital do Estado, a querida Belém. Coincidentemente, a exatos 35 anos, aqui cheguei num domingo, feriadão, cidade vazia, sol pela manhã e aquela chuvinha da tarde.
No mesmo dia me apaixonei pela culinária e pelo povo. Vim para conhecer e acabei ficando. Fui muitas vezes ao seu interior, me estabeleci em algumas cidades, conheci a todas e continuo descobrindo esse chão e essa gente maravilhosa.
Hoje sou grato a esta terra que me acolheu e ao seu povo que gentilmente me deu oportunidades nunca antes imaginadas.
Aqui finquei raizes, constitui familia, cresci, aprendi muito, me doei e estou disposto a ficar e colaborar sempre que possível.
Espero poder continuar a aprender e a corresponder a tanto carinho recebido.
Obrigado Senhor pela oportunidade de conhecer esse Pará tão grandioso!