segunda-feira, 8 de agosto de 2011
A matemática da vida em Fukushima
Publicado em 03/06/2011 - Marvio dos Anjos
Há no Japão um grupo de 200 aposentados, em sua maioria engenheiros, que se oferece para substituir trabalhadores mais jovens num perigoso trabalho: a manutenção da usina nuclear de Fukushima, que foi seriamente afetada pelo grande terremoto de três meses atrás. Os reparos envolvem altos níveis de radioatividade cancerígena.
Em entrevista à BBC, o voluntário Yasuteru Yamada, que tem 72 anos e negocia com o reticente governo japonês e a companhia, usa uma lógica tão simples quanto assombrosa.
"Em média, devo viver mais uns 15 anos. Já um câncer vindo da radiação levaria de 20 a 30 anos para surgir. Logo, nós que somos mais velhos temos menos risco de desenvolver câncer", afirma Yamada.
É arrepiante. Na contramão do individualismo atual - e lidando de uma maneira absolutamente realista em relação à vida e à morte -, sexagenários e septuagenários querem dar uma última contribuição: ser úteis em seus últimos anos e permitir que alguns jovens possam chegar às idades deles com saúde e disposição semelhantes.
O que mais impressiona em toda a história é a matemática da vida. A morte não é para eles um problema a ser solucionado - ou talvez corrigido, pela hipótese mística da vida eterna que medicina e biologia tentam encampar e da qual as revistas de boa saúde tentam nos convencer; a morte é, de fato, a constante da equação.
Nada que o mundo ocidental não conheça. O filósofo alemão Georg Friedrich Hegel (1770-1831) certa vez definiu "mestre" como alguém desapegado da vida a ponto de enfrentar a morte, enquanto "servo" seria um escravo do desejo de continuar vivo - e que obedeceria mais às regras que lhe garantissem a sobrevida. Em consequência, o servo anula sua vontade de transformar o mundo e a si mesmo.
Criados numa sociedade de consumo, corremos o risco de levar essa escravidão às últimas, defendendo a boa saúde e os confortos com muito mais afinco do que aquilo que podemos fazer por nós e pelos outros enquanto ainda gozamos dela.
Os senhores do Japão ensinam que a morte é a hora em que podemos continuar a existir na memória das pessoas - uma oportunidade que, para mim, eles não perdem mais.
sábado, 6 de agosto de 2011
Uma Mulher inteligente falando sobre os homens.
Por Fernanda Montenegro
O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
1. Habitat - Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.
2. Alimentação correta - Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.
3. Carinho - Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
4. Respeite a natureza - Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.
5. Não anule sua origem - O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.
6. Cérebro masculino não é um mito - Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.
Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele... Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.
E Minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!
Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer
o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.
Com carinho,
Fernanda Montenegro.
O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.
Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
1. Habitat - Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.
2. Alimentação correta - Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.
3. Carinho - Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
4. Respeite a natureza - Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.
5. Não anule sua origem - O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie.
6. Cérebro masculino não é um mito - Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade.
Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele... Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.
E Minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!
Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!
Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer
o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.
Com carinho,
Fernanda Montenegro.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
SEM MEDO DA LIBERDADE.
“Mostra-se incompatível com o pluralismo de idéias, que legitima a divergência de opiniões, a visão daqueles que pretendem negar, aos meios de comunicação social (e aos seus profissionais), o direito de buscar e de interpretar as informações, bem assim a prerrogativa de expender as críticas pertinentes.
Arbitrária, desse modo, e inconciliável com a proteção constitucional da informação, a repressão à crítica jornalística, pois o Estado – inclusive seus juízes e Tribunais – não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias e sobre as convicções manifestadas pelos profissionais da Imprensa.”
Do ministro Celso de Mello, do STF, o Supremo Tribunal Federal, em eloqüente defesa da liberdade de expressão ampla, geral e irrestrita.
Arbitrária, desse modo, e inconciliável com a proteção constitucional da informação, a repressão à crítica jornalística, pois o Estado – inclusive seus juízes e Tribunais – não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias e sobre as convicções manifestadas pelos profissionais da Imprensa.”
Do ministro Celso de Mello, do STF, o Supremo Tribunal Federal, em eloqüente defesa da liberdade de expressão ampla, geral e irrestrita.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A BREVE HISTÓRIA DE UMA MENINA BONITA
Luciane Trevejo
Publicado por Luiz Berto em ALÉM DO QUE SE LÊ -
Quando eu era pequena, tinha a pele era branquinha feito porcelana, as bochechas rosadas, olhos claros e cabelos loiros e lisos. Lembro-me de algumas bonecas, que não eram minhas filhas, mas sim, minhas eternas confidentes. Aliás, pensando bem, todas as minhas lembranças estão nessa fase : minha infância.
Diziam que me parecia com um anjinho, que eu era linda! Papai também pensava assim….Tinha um irmão mais velho, acho que se chamava Carlos. Mas não estou bem certa. Tudo me parece um tanto confuso agora. Ele era grande e forte, apesar de ter pouco mais que 12 anos. Só que nunca estava por perto quando precisei dele. Mamãe era uma mulher simples, de fala baixa, nunca se alterava, nunca discutia com papai, nunca discordava dele.
Morávamos numa casa simples, perto do Hospital de nossa pequena cidade. Eu via pessoas passarem em ambulâncias, sendo amparadas e socorridas e sentia inveja . Nunca fui amparada ou socorrida. A nossa vizinha, era cabeleireira, tinha duas filhas mais ou menos da minha idade , e as protegia como uma leoa. Um dia, ela percebeu algo estranho e foi falar com a mamãe.
Pensei que finalmente meu tormento teria fim, pois a mamãe agora me protegeria! Aquela vizinha contaria o que eu nunca tivera coragem de contar , e agora, tudo ficaria bem! Mamãe disse que eu era muito criativa, que aquilo era conversa de criança. Foi nesse dia que percebi que ela sempre soubera de tudo.
Aquilo doeu mais do que todas as noites que fui pega de surpresa, enquanto sonhava com carrosséis coloridos, algodão doce cor de rosa e ambulâncias a me socorrer. Ela sabia, e nunca fez nada para aquilo ter um fim.
A vizinha comunicou a polícia, mas mamãe negando, a gente sendo pobre e papai o bom provedor, ninguém questionou e tudo ficou como estava.
Um dia, estávamos reunidos para jantar, e eu disse quena natureza era perfeita: os passarinhos cuidam de seus filhotinhos até que eles possam se alimentar sozinhos, que os gatinhos também são protegidos pelas mães, assim como todos os outros animais. Papai respondeu que os potrinhos, quando nascem, recebem um chute das mães, que é pra aprenderem que a vida não é moleza.
Eu já sabia disso. A vida não era moleza e eu , definitivamente, não era passarinho, nem gatinho. Eu era potrinho.
Quando comecei a ir a escola, tudo ficou muito óbvio. As marcas roxas pelo meu corpo, meu pescoço, a dificuldade em me movimentar, em me sentar, aconteciam com tanta frequência, que todos da escola perceberam e, o sonho daquela ambulância vir me buscar, se tornou real.
Papai foi preso, mamãe chorou muito por ele. As lágrimas que por mim, nunca foram derramadas, vertiam constantemente agora. Seria eu a vilã de minha própria história? O pesadelo finalmente acabara, mas a realidade que seguiu foi muito pesada para a menininha que eu era. Quem me via brincando com minhas bonecas, não podia imaginar a profundidade de minhas dores.
Procurava um lugar pra me esconder. Cavava buracos profundos na terra vermelha do meu quintal, queria poder entrar ali e me esconder do mundo. Mas não sabia como me esconder de mim mesma. Fui crescendo e minha infância seguia a meu lado. Para todos, era apenas uma menininha de olhos claros e cabelos finos e loiros, brincando na terra.
Aos doze anos, me apresentaram um pozinho mágico, que fazia com que por algum tempo, eu me sentisse bem e livre. DepPDois vieram as injeções, e aos quatorze adoeci muito e o médico disse que eu tinha uma doença, e que teria que tomar muitos remédios para poder continuar viva.
Aos dezesseis, morri de overdose. Não pude ter meus filhos e protege-los do mundo e das pessoas más que por ventura pudessem surgir. Não tive infância, nem juventude. A vida , para mim, foi longa demais e o descanso demorou muito para enfim, surgir. Embora não pareça, meu fim foi um presente de Deus. O único que recebi durante minha longa existência.
Peço sempre a Deus que perdoe minha mãe, pois eu não fui capaz de perdoá-la.
Agora finalmente, descanso em paz.
"PEDOFILIA É CRIME. DENUNCIE!
Publicado por Luiz Berto em ALÉM DO QUE SE LÊ -
Quando eu era pequena, tinha a pele era branquinha feito porcelana, as bochechas rosadas, olhos claros e cabelos loiros e lisos. Lembro-me de algumas bonecas, que não eram minhas filhas, mas sim, minhas eternas confidentes. Aliás, pensando bem, todas as minhas lembranças estão nessa fase : minha infância.
Diziam que me parecia com um anjinho, que eu era linda! Papai também pensava assim….Tinha um irmão mais velho, acho que se chamava Carlos. Mas não estou bem certa. Tudo me parece um tanto confuso agora. Ele era grande e forte, apesar de ter pouco mais que 12 anos. Só que nunca estava por perto quando precisei dele. Mamãe era uma mulher simples, de fala baixa, nunca se alterava, nunca discutia com papai, nunca discordava dele.
Morávamos numa casa simples, perto do Hospital de nossa pequena cidade. Eu via pessoas passarem em ambulâncias, sendo amparadas e socorridas e sentia inveja . Nunca fui amparada ou socorrida. A nossa vizinha, era cabeleireira, tinha duas filhas mais ou menos da minha idade , e as protegia como uma leoa. Um dia, ela percebeu algo estranho e foi falar com a mamãe.
Pensei que finalmente meu tormento teria fim, pois a mamãe agora me protegeria! Aquela vizinha contaria o que eu nunca tivera coragem de contar , e agora, tudo ficaria bem! Mamãe disse que eu era muito criativa, que aquilo era conversa de criança. Foi nesse dia que percebi que ela sempre soubera de tudo.
Aquilo doeu mais do que todas as noites que fui pega de surpresa, enquanto sonhava com carrosséis coloridos, algodão doce cor de rosa e ambulâncias a me socorrer. Ela sabia, e nunca fez nada para aquilo ter um fim.
A vizinha comunicou a polícia, mas mamãe negando, a gente sendo pobre e papai o bom provedor, ninguém questionou e tudo ficou como estava.
Um dia, estávamos reunidos para jantar, e eu disse quena natureza era perfeita: os passarinhos cuidam de seus filhotinhos até que eles possam se alimentar sozinhos, que os gatinhos também são protegidos pelas mães, assim como todos os outros animais. Papai respondeu que os potrinhos, quando nascem, recebem um chute das mães, que é pra aprenderem que a vida não é moleza.
Eu já sabia disso. A vida não era moleza e eu , definitivamente, não era passarinho, nem gatinho. Eu era potrinho.
Quando comecei a ir a escola, tudo ficou muito óbvio. As marcas roxas pelo meu corpo, meu pescoço, a dificuldade em me movimentar, em me sentar, aconteciam com tanta frequência, que todos da escola perceberam e, o sonho daquela ambulância vir me buscar, se tornou real.
Papai foi preso, mamãe chorou muito por ele. As lágrimas que por mim, nunca foram derramadas, vertiam constantemente agora. Seria eu a vilã de minha própria história? O pesadelo finalmente acabara, mas a realidade que seguiu foi muito pesada para a menininha que eu era. Quem me via brincando com minhas bonecas, não podia imaginar a profundidade de minhas dores.
Procurava um lugar pra me esconder. Cavava buracos profundos na terra vermelha do meu quintal, queria poder entrar ali e me esconder do mundo. Mas não sabia como me esconder de mim mesma. Fui crescendo e minha infância seguia a meu lado. Para todos, era apenas uma menininha de olhos claros e cabelos finos e loiros, brincando na terra.
Aos doze anos, me apresentaram um pozinho mágico, que fazia com que por algum tempo, eu me sentisse bem e livre. DepPDois vieram as injeções, e aos quatorze adoeci muito e o médico disse que eu tinha uma doença, e que teria que tomar muitos remédios para poder continuar viva.
Aos dezesseis, morri de overdose. Não pude ter meus filhos e protege-los do mundo e das pessoas más que por ventura pudessem surgir. Não tive infância, nem juventude. A vida , para mim, foi longa demais e o descanso demorou muito para enfim, surgir. Embora não pareça, meu fim foi um presente de Deus. O único que recebi durante minha longa existência.
Peço sempre a Deus que perdoe minha mãe, pois eu não fui capaz de perdoá-la.
Agora finalmente, descanso em paz.
"PEDOFILIA É CRIME. DENUNCIE!
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