sexta-feira, 21 de maio de 2010

Perguntar ofende?

Será que o Jornal Nacional teria coragem de fazer estas perguntas ao Lula?

1) O senhor prometeu criar 10 milhões de empregos e chegará ao fim do mandato criando quatro milhões. Neste tempo, a renda da classe média caiu, e os empregos gerados se concentram na faixa de até 2 salários mínimos. A chamada distribuição de renda do seu governo não se faz à custa do empobrecimento dos menos pobres?

2) O Senhor disse que banqueiro lucra no seu governo e, por isso, não precisa de Proer. O Senhor sabe quantos Proers o Brasil
paga por ano para sustentar os juros reais mais altos do mundo?

3) O seu filho, até bem pouco tempo antes de o Senhor assumir a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico e, hoje, já é um
empresário que a gente poderia classificar de milionário. O Senhor não acha uma ascensão muito rápida?

4) Genoino sabia do mensalão. Silvio Pereira sabia do mensalão.Dirceu sabia do mensalão. Ministros foram avisados do mensalão.
Só o senhor, da cúpula, não saberia. O senhor não acha que, nesse caso, não saber é tão grave quanto saber? E se houver mais
irregularidades feitas por amigos seus que o senhor ignore?

5) Presidente, na sua gestão, as invasões de terra triplicaram, caiu o número de assentamentos e mais do que dobrou o número
de mortos no campo. Como o senhor defende a sua política de reforma agrária?

6) O senhor não tem vergonha de subir em palanque onde estão mensaleiros e sanguessugas?

7) Presidente, em 2002, o Brasil exportava a metade do que exporta hoje, e o risco país era sete ou oito vezes maior. O país
pagava 11% de juros reais. Hoje, continuamos a pagar mais de 10%. Como o senhor explica isso?

8) Em 2002, o governo FHC que o Senhor tanto critica repassou para São Paulo, na área de segurança, R$ 223,2 milhões.
Em 2005, o seu governo repassou apenas R$ 29,6 milhões. Só o seu avião custou R$ 125 milhões.
Não é muito pouco o que foi dado ao Estado que tem 40% da população carcerária do país?

9) Quando o Senhor assumiu, o agro negócio respondia por mais de 60% do superávit comercial. Quase quatro anos depois, o setor está quebrado, devendo R$ 50 bilhões. O Senhor não acha que o seu governo foi um desastre na área?

Vamos aguardar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

DELAÇÃO NÃO PREMIADA

Acontece que, dado ao meu cansaço como assíduo leitor das verdades publicadas pela facção honesta da imprensa, sobre os malfeitores e inimigos públicos que infestam os poderes do Estado, resolvi dar nome aos bois.

Vou me prestar à pior função que a desonestidade humana permite e delatar com todas as letras os responsáveis pelo caos que hoje vivemos no Brasil.

Quero ser um vil delator, Mas não como os criminosos que denunciam seus parceiros de quadrilha para conseguir benesses da justiça. Não me rebaixaria à pequenez dessa infâmia. A intenção é a de apenas mostrar com o máximo de clareza onde cabem as responsabilidades por esse inferno e desmando que todos passamos.

O primeiro da lista é o seu Manoelzinho do armazém. Nós dois já discutimos e quase chegamos às vias de fato, quando eu tentei mostrar a ele que não deveria votar em um ladrão descarado. E levei provas. Disse dos processos, das pendengas com o ministério público e nada. O homem se mostrou irredutível. E o pior de tudo: votou em quem não devia. E se gabou da vitória. Até o dia em que deu entrada em um hospital público, com um problema sério da coluna vertebral, como conseqüência da queda de um telhado.

Ali, esse pobre enganado sofreu o pão que o diabo amassou. E mesmo quase inválido da queda, não conseguindo uma ambulância para transportá-lo, precisou ser levado de moto por um vizinho. Como o seu caso era de uma certa gravidade, o Manoelzinho precisava de alguns exames sofisticados. E conseguiu com prazos de 2 ou 3 meses cada um. O final foi a luta para conseguir um colete que lhe sustentasse a postura para conseguir a cura. Hoje é mais um inválido que não se permite qualquer esforço físico e talvez não vote nunca mais.

Outra que faço questão de denunciar aqui é uma grande amiga. Dona Ivone, freqüentadora assídua do meu convívio e da minha casa. Tanto elogiou um certo deputado e um candidato a Governador que como prêmio, teve uma filha estuprada em uma dessas nossas mal iluminadas ruas de todas as cidades do Estado. Hoje tem verdadeiros ataques de fúria apenas com a menção dos seus eleitos.

Já o Nivaldo não. Nivaldo foi comprado. Deram a ele cem reais para votar em uns quatro ou cinco nomes da eleição passada e ele obedeceu cegamente. Cem reais é muito para quem tem que sustentar família com um salário mínimo, e da pra comprar a gororoba por pelo menos uns quinze dias. O problema é que eu disse ao Nivaldo: recebe o dinheiro e vota em outro. Mas ele achou isso muito desonesto.

E aqui estão outros. Terezinha. Maria das Dores ( esta uma das amantes de um tubarão da política). Olavo, hoje preso por vender maconha como única forma de ganhar uns trocados. Dirce. Matheus. Paulinho. Clóvis. Eduardo, estes viventes das esmolas públicas.

Não posso nominar a todos. Não existiria espaço suficiente para caber centenas de milhares de pessoas. O que me impressiona é a rigidez da ideologia deles. Nada nesse mundo pode convencer esse povo inteiro de que a desonestidade que campeia solta, foi autorizada por ele a executar essas safadezas.

E outras eleições virão. E esse meu sofrido povo continuará votando nessa corja.

Que mágica é essa que a psicologia, a psiquiatria, a sociologia e todas as teorias não entendem? Que artifícios são usados para direcionar uma população tão carente de tudo a cometer os mesmos erros em todas as eleições?

Não sei. O que eu sei é que a base é o engano, o logro, a mentira, a falsidade e as promessas.

Só me resta parodiar o Grande Churchill usando à minha maneira uma de suas célebres frases. Nunca, na história da safadeza humana, tantos foram enganados tanto, por tão poucos.
Publicado por Luiz Berto em TERCEIRA VISÃO - Cícero Cavalcanti

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O crime legal

Lúcio Flávio Pinto

Editor do Jornal Pessoal
A história contemporânea da Amazônia segue dois marcos. Sem considerá-los, ninguém poderá entender o que acontece na região. O primeiro deles, por ordem cronológica, tem dois desdobramentos. Começou na segunda metade da década de 50 do século passado, quando pela primeira vez a Amazônia foi integrada por terra ao restante do país, inicialmente através das rodovias Belém-Brasília e Brasília-Acre (seguidas de outras estradas de porte semelhante, como a Transamazônica).

Esse marco foi arrematado duas décadas depois, quando os militares, no poder pelo período mais longo de todas as suas intervenções na vida política brasileira, decidiram acelerar a ocupação desencadeada pelas estradas. O lema era categórico: “integrar para não entregar”.

Uma longa tradição de raciocínio geopolítico muito forte, sobretudo na caserna, garantia que a Amazônia era objeto, desde o início da presença européia, de uma cobiça internacional profunda, persistente e ameaçadora. Ela só não se consumara porque o colonizador português mostrara sua valentia (além de sagacidade) na defesa (e expansão) das fronteiras amazônicas. Esse sentimento foi repassado ao nativo.

Mas essas qualidades já não eram suficientes para assegurar a soberania nacional sobre a mais extensa e rica fronteira do país. Os “espaços vazios” constituíam o ponto frágil da vigilância e da defesa da integridade territorial. Era preciso que cidadãos nacionais ocupassem esses espaços, atraídos pelas promessas de enriquecimento e intensamente apoiados pelo governo (inclusive através de colaboração financeira do erário). A Amazônia precisava deixar sua condição de reserva e passar a produzir.

Essa contingência se impôs quando de outro marco: a primeira crise do petróleo, de 1973. O mundo se redefiniu para se adaptar ao novo custo da energia. Em nenhum lugar do mundo há mais energia contida na natureza do que na Amazônia. Em seus rios caudalosos, no seu subsolo, nas suas árvores, nas suas chuvas, no seu sol. Um dos lugares-chave da nova redivisão internacional do trabalho passou a ser a Amazônia.

Ela tem duas das maiores fábricas de alumínio do planeta (e o alumínio é o bem industrial mais eletrointensivo que existe), a maior fábrica de alumina, algumas das principais plantas minerais, a quarta maior hidrelétrica da Terra. Quase todos esses bens e insumos são remetidos para o exterior. As empresas que os produzem contam com participação acionária de algumas das principais multinacionais. A Amazônia, internacionalizada desde a sua origem (foram os espanhóis que lhe deram esse nome) e nacionalizada só recentemente, já sob o Império, nunca foi tão internacionalizada quanto agora. E nunca tão integrada à economia nacional. Ao contrário do que pensavam os militares no poder, uma coisa levou à outra, ao invés de impedi-lo.

Os estrangeiros parecem ter aprendido que é mais cômodo e mais rentável explorar as riquezas da Amazônia sob um governo local do que abrindo filial colonial da metrópole no além-mar. Os relatos sobre tentativas de intervenção estrangeira direta não resistem a um exame mais apurado.

Diz a lenda (revestida de verdade histórica nos manuais de ocasião, muito caros aos nacionalistas) que, no século XIX, a poderosa Inglaterra só não anexou a Amazônia porque Eduardo Angelim, o principal líder da Cabanagem, a maior insurreição popular da história brasileira (irrompida em 1835), rejeitou as propostas insinuantes de autonomia de um representante britânico, colocando-o para correr.

Documentos oficiais ingleses, aos quais só recentemente se teve acesso, revelaram que o próprio governo brasileiro, na época chefiado pelo regente paulista Diogo Feijó (em nome do imperador Pedro II, ainda menor), autorizou a Inglaterra a invadir secretamente a convulsionada província para reprimir os rebeldes. A tarefa estava além das possibilidades das tropas brasileiras, empenhadas em combater outra grave insurreição, a dos Farrapos, no outro extremo do país, o Rio Grande do Sul.

Navios da armada inglesa (a mais poderosa da época) estiveram em Belém e seu comandante concluiu que dominaria tudo com apenas 150 fuzileiros navais. Se quisesse fazer da Amazônia uma nova Índia, era o momento. Feitos os cálculos, Sua Majestade verificou que lucraria mais mantendo a nacionalidade brasileira. Ao invés de tropa, mandou seu banco e financiou o início da exploração da borracha. O Banco do Brasil levou quase um século para se instalar na região, depois de criado.

O ministro das relações exteriores da Inglaterra, Lorde Palmerston, instruído pelo embaixador no Rio de Janeiro, não aceitou a proposta de Feijó para a invasão secreta, a repressão e a pacificação da província distante, que seria devolvida então ao governo imperial. Apresentou várias justificativas relacionadas à legalidade e à autodeterminação dos povos, mas, na verdade, tinha em mente números.

A Inglaterra ganhou muito dinheiro comprando e financiando a borracha amazônica. E, depois, quando constatada a inviabilidade de aumentá-la na escala exigida, partiu para o sucedâneo asiático, a partir de sementes coletadas no Pará. Tudo dentro da lei. Sem contrabando, ao contrário do que proclama outra lenda compensatória.

A “pacificação” da província rebelde, que o governo imperial acabou por assumir, foi mais sangrenta do que os motins políticos. Depois de cinco anos de conflagração, 20% da população da Amazônia morrera, com maior ênfase na fase da “pacificação”. Se fosse hoje, seriam mais de dois milhões de mortos. Há algo semelhante na história do Brasil? Não é tão frequente nem na belicosa história da humanidade.

Histórias de pé quebrado sobre a “cobiça internacional” da literatura geopolítica têm servido de habeas corpus ao saque dos recursos amazônicos, inclusive humanos, praticado pelos nacionais. Possibilitam até a pilhagem internacional, sem chamar a atenção da opinião pública, condicionada a achar que internacionalização é sinônimo de invasão armada.

Foi assim que o governo federal conseguiu criar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Dizia-se que os Estados Unidos aproveitariam uma manobra militar conjunta na vizinha (ex-inglesa) Guiana (o Brasil foi convidado e não aceitou), para ensaiar a invasão da Amazônia. Usaria o conceito de “soberania limitada”, ao qual a Amazônia estaria sujeita por ser patrimônio da humanidade.

Assim, o Sivam, mesmo custando dois bilhões de dólares, não passou por concorrência pública. Era mais uma ação de emergência pela defesa da ameaçada segurança nacional na Amazônia, alvo da insaciável cobiça internacional. A dispensa de licitação criou um dos escândalos que abalou a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso.

De lá para cá as exportações amazônicas cresceram mais de quatro vezes, a participação acionária de empresas estrangeiras se expandiu e os vínculos ao mercado mundial foram reforçados. Há menos “espaços vazios”, não só porque a população cresceu a uma taxa superior à da média nacional, como porque os pioneiros que abrem essas frentes foram responsáveis pelo maior desmatamento de toda história da humanidade: em meio século puseram abaixo área equivalente a três vezes o tamanho do Estado de São Paulo, que concentra um terço da riqueza nacional.

Ou seja: integrada, para não ser entregue aos piratas estrangeiros (ou aos “marines” americanos), a Amazônia paga aos seus protetores um preço. O de deixar de ser Amazônia. É assim que se torna Brasil, finalmente.



Postado por O Estado do Tapajos On Line às 09:57

sábado, 8 de maio de 2010

Elton John fez Empty Garden, para Lennon.

Em um crepúsculo de dezembro de 1980, Lennon foi assassinado em frente ao maior jardim de Nova York, o Central Park, onde ele costumava caminhar.
Em 1982, Elton John lançou, no Central Park, este réquiem a Lennon.
A letra começa com uma pergunta: "o que aconteceu aqui, ao por do Sol de Nova York?"
E termina com um apelo vão: "Hey Johnny, por que você não vem brincar neste triste jardim?"

Machado de Assis afirma que: “Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, na qual o destino, para escrever um caso novo, tem que apagar o caso escrito.”

Vale a pena, por vezes parar um pouco o que se está fazendo e dedicar alguns minutos ao seu coração: leia o lamento de Elton John.

Empty Gardem - tradução livre.

O que aconteceu aqui
Na hora que o por do sol de Nova York desapareceu
Fez com que eu encontrasse um jardim vazio
Entre os azulejos ali
Quem viveu aqui
Deve ter sido um jardineiro
Que se importou muito
Que molhou a terra com suas lágrimas
E fez crescer uma boa plantação
E agora tudo está estranho
É engraçado como um inseto
Pode causar tanto dano
E agora de que adianta
Este pequeno jardim vazio
Perto da porta da casa de arenito
E nas rachaduras ao longo da calçada
Nada cresce mais
Quem viveu aqui
Deve ter sido um jardineiro
Que se importou muito
Que molhou a terra com suas próprias lágrimas
E fez crescer uma boa plantação
E nós ficamos tão surpresos
Estamos incapacitados e estonteados
Um jardineiro como este
Ninguém pode substituir
E eu estive batendo na porta
Mas ninguém responde
E eu estive batendo na porta
A maior parte do dia
Oh, e eu estive chamando
Oh, ei, ei Johnny
Você não pode sair para brincar
E pelas lágrimas deles
Dizem que ele foi melhor ainda
Quando era mais jovem
Mas ele teria dito que as raízes crescem mais fortes
Ah, se ele pudesse ouvir agora
Quem viveu ali
Deve ter sido um jardineiro
Que se importou muito
Que molhou o chão com suas lágrimas
E fez crescer uma boa plantação
E agora precisamos pedir a chuva numa oração
E com cada gota que cai
Nós ouvimos, nós ouvimos seu nome
Johnny, você não pode sair para brincar
No seu jardim vazio