segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Parte da entrevista com Benjamin Steinbruch

Entrevista publicada em “O Estado de São Paulo”, em 22.08.10.

Além de inundar o mercado com seus produtos, a China está comprando muitos ativos no Brasil. Isso incomoda os empresários?
A China investiu muito em títulos do Tesouro americano e agora busca desesperadamente trocar parte desses papéis por ativos. Começou pela África, onde comprou tudo que podia e agora está comprando na América Latina, inclusive no Brasil. O capital chinês de médio e longo prazos para investimento é muito bem-vindo. Mas é preciso cuidar de setores estratégicos.

Quais seriam esses setores?
Por exemplo, a China comprar reservas de minério no Brasil, sendo ela o principal cliente do País, precisa ser considerado de forma diferente. A China é uma força no mundo. A partir do momento que ela tenha o domínio sobre a matéria-prima, sendo a maior consumidora de minério, ela pode tirar os outros do jogo. Dependendo do preço de transferência que adote, quebra com todo mundo. Setores estratégicos têm de ter algum controle do governo. É preciso dizer aquilo que pode e aquilo que não pode ser comprado por capital estrangeiro.

O sr. está falando em restringir a compra de terras ou minas?
Eu restringiria. Se for uma coisa da iniciativa privada, é um direito indiscutível. Mas, a partir do momento que atrás de quem compra está o Estado, é uma coisa de governo contra governo. Não vejo com bons olhos nenhum país vindo aqui comprar ativos no Brasil.

O sr. não está exagerando?
Vou contar um fato que me causou surpresa. No projeto da ferrovia Transnordestina tentamos comprar terras para induzir o desenvolvimento de plantio de grãos na região. Para nossa surpresa, encontramos grandes propriedades sendo tocadas por chineses. Eles já produzem grãos no interior do Piauí e de Pernambuco, coisa que nós, idealizadores do projeto, não sabíamos.

O sr. acha que os principais candidatos à Presidência aceitariam fazer esse tipo de intervenção?
Qualquer presidente tem de ter essa preocupação, porque é uma questão de soberania nacional. Independentemente de partido, estilo ou filosofia, é algo que tem de ser analisado e resolvido de maneira muito rápida, porque depois que comprarem não adianta fazer mais nada.

O sr. tem defendido o BNDES, mas a atuação do banco não está concentrada em poucas empresas?
Existe concentração porque não temos empresas globalizadas. É preciso fortalecer as empresas brasileiras para termos uma presença lá fora.
No caso dos frigoríficos, que é foco de críticas, o banco deu muito dinheiro para os grandes, enquanto os pequenos e médios se queixam de falta de acesso...
Não sei se é o que está acontecendo. Mas se a pequena e a média não estão sendo apoiadas, acho que está errado. Agora, essa posição do BNDES de fortalecer empresas brasileiras exportadoras de carne nos países importadores faz todo sentido estratégico. O nosso desafio é virar uma potência. Para isso, temos de fazer o que os outros países fizeram e deu certo. Não precisa melhorar, basta copiar.

O sr. quis internacionalizar a CSN. Tentou comprar a siderúrgica anglo-holandesa Corus e a cimenteira portuguesa Cimpor, mas não deu. Vai continuar tentando?
Temos de continuar, um dia vai dar certo. Mas é preciso ser racional. Se fosse pagar o que não vale, a gente teria levado. Sempre tive muita vontade de comprar a Corus. Fui até onde deu. Não deu para levar, o que posso fazer? Na Cimpor foi a mesma coisa. A gente vai continuar tentando.

Está olhando outros negócios?
Estou. Basicamente aquilo que completa o que a gente faz: aço, cimento e mineração. É claro que, se aparecer alguma coisa muito boa, vamos estudar.

Onde está procurando?

Num primeiro momento, nos Estados Unidos e na Europa.

O sr. vai mesmo desmembrar os ativos da CSN e abrir o capital das empresas resultantes?
A CSN, como as grandes empresas brasileiras, precisa se tornar um conglomerado mundial. A ideia é que a CSN tenha os seus cinco negócios abertos em bolsas: mineração, siderurgia, cimento, infraestrutura e logística, e energia. É claro que é um negócio trabalhoso desmembrar uma empresa grande e transformar em cinco.

Quando isso vai acontecer?

A gente vai fazer uma de cada vez. O que está mais maduro é a mineração, mesmo porque nós temos uma outra empresa de mineração em parceria com japoneses, coreanos e chineses, que é a Namisa. Temos 60% e eles, 40%. A ideia é juntar Namisa com Casa de Pedra e abrir o capital. É um projeto de 110 milhões de toneladas de minério de ferro, uma quantidade muito significativa.

domingo, 22 de agosto de 2010

ESTOU DE VOLTA

Após trinta e cinco dias, dez mil quilometros rodados, tres quilos a menos e algumas experiências a mais, eis que estou de volta.
A separação foi tão longa que cheguei a esquecer a senha de acesso ao Blog.
Valeu muito. Foram alguns dias de convívio com familiares mais distantes, convívio tb com pessoas amigas que há muito não reencontrava, novos conhecimentos, revisita a alguns lugares super interessantes, retomada de atividades esquecidas, alimentação variada, sabores e odores diferentes, climas diversos, oportunidades inúmeras, caminhos outros, etc, etc, etc...
Todos deveriam se dar a oportunidade de tirar férias.
Espero que todos possam assim agir.
Eis me aqui de volta.

sábado, 17 de julho de 2010

MES DE JULHO, TEMPO DE PERNAS PARA O AR

Mês de julho é tempo de férias(principalmente para quem mora no Norte do Brasil) e como ninguém é de ferro pernas para o ar.
No meu caso não se aplica muito bem o "pernas para o ar" pois vou pegar a estrada em direção sudeste e rodarei de carro, 4000 km para ir e outro tanto para voltar.
Porém é férias e férias é mudança.
O tempo é mais estável, sairemos de uma temperatura de 38º C. e vamos para algo em torno de 15ºC. de média. Sairemos de uma latitude de 2' e vamos para latitude 22'. Sairemos de uma altitude de 2m para outra de 370m.
Sairemos da Floresta Amazônica para a Mata Atântica.
A alimentação mudará radicalmente. Hoje almocei "camarão no bafo", na terça-feira jantarei "fondee". Isso que é mudança.
Volto em agosto.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PRÁTICA E COSTUME

Estamos vivendo um tempo de predisposição para se aceitar quebra de normas legais como se fosse a coisa mais normal do mundo. A tradição de existirem
leis “que pegam” e outras que nem tanto, que marca negativamente a nossa sociedade,
passou a ser um parâmetro considerado válido para o comportamento, do cidadão comum
ao presidente da República.
A quebra do sigilo da declaração de Imposto de Renda de um cidadão admitida
pelo próprio secretário da Receita Federal em depoimento no Senado, não
provoca mais nenhuma indignação por parte da grande maioria da sociedade;nenhum estremecimento na máquina pública,que deveria existir para servir aos cidadãos, e não
ao governo da ocasião.
Por outro lado, o fato inédito de o presidente da República ter sido multado seguidas vezes por transgredir a lei eleitoral passa a ser considerado normal. O episódio em que o presidente Lula finge pedir desculpas por ter citado
a sua ex-ministra, como a grande mentora do projeto do trem-bala
é o ápice de um processo de degradação moral da política, não apenas pelo
cinismo do mea-culpa, mas porque estava presente à solenidade o presidente do
Tribunal Superior Eleitoral,Ricardo Lewandowski.
O fingimento do presidente levou-o a desrespeitar a legislação eleitoral
mais uma vez, e certamente a esperteza do chefe deve ter sido intimamente
comemorada pelos áulicos presentes, muitos dos quais aplaudiram a primeira
transgressão.
Há uma tendência a aceitar que o empenho pessoal do presidente Lula, com a força de sua popularidade, e o uso da máquina pública em favor da candidatura oficial a tornam
favorita das eleições de outubro. E não se leva em conta que essa combinação de forças é ilegal.
Os escândalos se sucedem e a sociedade parace estar amordaçada, não há reação, não se condena, não se pune apenas se conforma.
Dia 3 de outubro está por chegar. É a hora de se dizer o que se pensa.