Deu na Folha de S. Paulo
Próximo presidente terá de recuperar padrão mais responsável de gestão das contas públicas, submetidas hoje a subterfúgios contábeis
Um olhar menos atento sobre contas do Tesouro Nacional referentes a setembro poderá se admirar com o saldo de R$ 26,1 bilhões economizado para pagamento dos juros da dívida -o chamado superavit primário.
Esse resultado no entanto só foi possível graças uma entrada de R$ 31,9 bilhões decorrente da operação de capitalização da Petrobras - sem a qual o deficit seria de R$ 5,8 bilhões. Trata-se de mais um artifício contábil para manter as aparências.
Não é difícil identificar as graduais mudanças do governo Lula na gestão das contas públicas. No primeiro mandato houve a preocupação de fixar uma imagem de austeridade em contraste com velhas bandeiras populistas. Logo após a posse anunciou-se aumento da meta de superavit primário de 3,75% para 4,25% do PIB.
Ao longo dos primeiros anos por vezes o superavit superou a meta. Promovia-se um ajuste e tentava-se convencer os investidores de que não havia um "Plano B" heterodoxo a caminho.
Foi a época das reformas microeconômicas, que levaram à criação do crédito consignado e a avanços institucionais no mercado de capitais, importantes para os anos seguintes.
A partir de 2006, com a aceleração do crescimento e o aumento das receitas tributárias, inaugurou-se um período de maior folga. Por algum tempo a margem foi usada de modo positivo - auxiliou na implantação das transferências sociais, por exemplo, num esforço para reduzir desigualdades e garantir que o crescimento fosse menos excludente.
As metas continuaram sendo atingidas - mas a facilidade proporcionada pelo crescimento foi gradualmente minando os controles e o apetite para reformas.
A crise global de 2008 foi o ponto de inflexão. A forte expansão de gastos e do crédito público revelou-se correta no primeiro combate à recessão, mas a cautela com que se cercou, no início, essa política foi abandonada.
Desde então, operações arriscadas envolvendo o Tesouro e o BNDES passaram a ser acompanhadas de subterfúgios contábeis que obscurecem a situação das contas e desmoralizam as metas de superavit.
Espera-se que o novo governo promova uma "parada de arrumação". O padrão de gastos sempre crescentes não é compatível com o crescimento sustentado. Os riscos de aumento da inflação e de alta de juros impõem um período de contenção.
Além disso, a necessidade de aumentar investimentos, racionalizar tributos e reduzir as pressões de valorização do real, entre outros desafios, exigem que se recupere um padrão responsável de gestão das contas públicas.
sábado, 30 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
PF VINCULA QUEBRA DE SIGILO AO COMITÊ DE DILMA
A Polícia Federal já farejou o elo que vincula a quebra de sigilo fiscal de tucanos e familiares de José Serra ao comitê eleitoral de Dilma Rousseff.
Deve-se a revelação ao repórter Leonardo Souza.
Em notícia veiculada pela Folha, ele informa o seguinte:
1. A investigação da PF descobriu que foi o jornalista Amaury Ribeiro Jr. quem encomendou os dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB e a Serra.
2. Amaury atuou num “grupo de inteligência” que operava no comitê de Dilma na fase de pré-campanha. Abrigava-se no imóvel que aparece na foto lá do alto
3. Os dados fiscais obtidos mediante pagamento. Chama-se Dirceu Rodrigues Garcia o intermediário da compra. É despachante. Atua em São Paulo.
4. A PF soube que o repórter Amaury contactou o despachante Dirceu graças ao cruzamento de informações telefônicas.
5. Numa primeira inquirição, Dirceu negou participação nos malfeitos. Confrontado com os dados extraídos das contas de telefone, mudou o depoimento.
6. O despachante disse que Amaury lhe pagou R$ 12 mil pela obtenção das informações protegidas por sigilo fiscal.
7. Constavam da encomenda as declarações de IR de Veronica Serra e Alexandre Borgeois, filha e genro do presidenciável tucano.
8. O pacote incluiu também dados fiscais de Eduardo Jorge, dirigente do PSDB; Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC,Gregório Preciado, marido de uma prima de Serra; e Ricardo Sérgio Oliveira, ex-diretor do BB na era tucana e ex-coletor de campanhas do PSDB.
9. Segundo o despachante Dirceu, uma vez obtidos os dados, o repórter Amaury deslocava-se até São Paulo para recolhê-los.
10. No caso da filha e do genro de Serra, o sigilo fiscal foi quebrado na agência da Receita em Santo André.
11. O despachante Dirceu acionou o Office-boy Ademir Cabral, que contactou outro despachante: Antonio Carlos Atella.
12. Coube a Atella, munido de procurações falsas, retirar as declarações de renda de Verônica e do marido dela nos balcões do fisco em Santo André.
13. Quanto às informações dos outros personagens, foram extraídas dos computadores do fisco na agência de Mauá.
14. Aqui, Atella acionou, segundo a PF, outro despachante. Chama-se Fernando Araújo Lopes.
15. Para obter os dados, Fernando Araújo pagou à servidora Adeilda dos Santos, lotada à época no fisco de Mauá.
16. A investigação da PF foi aberta depois que o repórter Leonardo Souza da veiculação de notícia levada por Leonardo Souza às páginas da Folha em junho.
17. Revelou-se que dados fiscais sigilosos do tucano Eduardo Jorge constavam das folhas de dossiê que circulava no grupo de “inteligência” do comitê de Dilma.
18. O repórter Amaury sempre negou participação na quebra dos sigilos. Não admite tampouco ter prestado serviços para a campanha de Dilma.
19. Amaury participou, porém, em abril, de reunião ocorrida num restaurante de Brasília. Nesse encontro, revelado por ‘Veja’, montar esquema para espionar Serra.
20. Nessa época, coordenava o grupo de “inteligência” do comitê de Dilma o jornalista Luiz Lanzetta. Ele também tomou parte da reunião de abril.
21. Depois que a movimentação do grupo foi às manchetes, Lanzetta afastou-se da campanha petista. E grupo que ele coordenava foi desfeito.
22. O flat em que o repórter Amaury se hospedou em Brasília foi custeado pelo PT. Em entrevista à Veja, ele disse que petistas teriam furtado dados de seu laptop.
23. A encomenda dos dados fiscais de tucanos, parentes e amigos de Serra foi feita , segundo a PF, em outubro de 2009.
24. Nessa época, Amaury era funcionário do jornal ‘O Estado de Minas’. Numa tentatvia de tomar distância da encrenca, o petismo insinua que o diário mineiro é próximo de Aecio Neves.
25. Há dois meses, o secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas (PR), declarou que Amaury investigava Serra graças a acerto de Aécio com o jornal.
26. Aécio disputava com Serra a vaga de candidato do PSDB ao Planalto. Daí, segundo Vargas, o interesse em desgastar o correligionário.
27. Ainda de acordo com Vargas, coube a Fernando Pimentel (PT-MG) levar para dentro do comitê de Dilma os dados coletados por Amaury.
28. Aécio classificou a versão do petista Vargas de rematada tolice. Fernando Pimentel não levou o “amigo” a sério.
29. A PF já inquiriu no inquérito do Fiscogate 37 pessoas. Indiciou sete. Entre elas os despachantes Dirceu Rodrigues, Antonio Atella e Fernando Araújo; o Office-boy Ademir Cabral e a servidora Adeildda. Amaury, por ora, não foi indiciado.
Deve-se a revelação ao repórter Leonardo Souza.
Em notícia veiculada pela Folha, ele informa o seguinte:
1. A investigação da PF descobriu que foi o jornalista Amaury Ribeiro Jr. quem encomendou os dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB e a Serra.
2. Amaury atuou num “grupo de inteligência” que operava no comitê de Dilma na fase de pré-campanha. Abrigava-se no imóvel que aparece na foto lá do alto
3. Os dados fiscais obtidos mediante pagamento. Chama-se Dirceu Rodrigues Garcia o intermediário da compra. É despachante. Atua em São Paulo.
4. A PF soube que o repórter Amaury contactou o despachante Dirceu graças ao cruzamento de informações telefônicas.
5. Numa primeira inquirição, Dirceu negou participação nos malfeitos. Confrontado com os dados extraídos das contas de telefone, mudou o depoimento.
6. O despachante disse que Amaury lhe pagou R$ 12 mil pela obtenção das informações protegidas por sigilo fiscal.
7. Constavam da encomenda as declarações de IR de Veronica Serra e Alexandre Borgeois, filha e genro do presidenciável tucano.
8. O pacote incluiu também dados fiscais de Eduardo Jorge, dirigente do PSDB; Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC,Gregório Preciado, marido de uma prima de Serra; e Ricardo Sérgio Oliveira, ex-diretor do BB na era tucana e ex-coletor de campanhas do PSDB.
9. Segundo o despachante Dirceu, uma vez obtidos os dados, o repórter Amaury deslocava-se até São Paulo para recolhê-los.
10. No caso da filha e do genro de Serra, o sigilo fiscal foi quebrado na agência da Receita em Santo André.
11. O despachante Dirceu acionou o Office-boy Ademir Cabral, que contactou outro despachante: Antonio Carlos Atella.
12. Coube a Atella, munido de procurações falsas, retirar as declarações de renda de Verônica e do marido dela nos balcões do fisco em Santo André.
13. Quanto às informações dos outros personagens, foram extraídas dos computadores do fisco na agência de Mauá.
14. Aqui, Atella acionou, segundo a PF, outro despachante. Chama-se Fernando Araújo Lopes.
15. Para obter os dados, Fernando Araújo pagou à servidora Adeilda dos Santos, lotada à época no fisco de Mauá.
16. A investigação da PF foi aberta depois que o repórter Leonardo Souza da veiculação de notícia levada por Leonardo Souza às páginas da Folha em junho.
17. Revelou-se que dados fiscais sigilosos do tucano Eduardo Jorge constavam das folhas de dossiê que circulava no grupo de “inteligência” do comitê de Dilma.
18. O repórter Amaury sempre negou participação na quebra dos sigilos. Não admite tampouco ter prestado serviços para a campanha de Dilma.
19. Amaury participou, porém, em abril, de reunião ocorrida num restaurante de Brasília. Nesse encontro, revelado por ‘Veja’, montar esquema para espionar Serra.
20. Nessa época, coordenava o grupo de “inteligência” do comitê de Dilma o jornalista Luiz Lanzetta. Ele também tomou parte da reunião de abril.
21. Depois que a movimentação do grupo foi às manchetes, Lanzetta afastou-se da campanha petista. E grupo que ele coordenava foi desfeito.
22. O flat em que o repórter Amaury se hospedou em Brasília foi custeado pelo PT. Em entrevista à Veja, ele disse que petistas teriam furtado dados de seu laptop.
23. A encomenda dos dados fiscais de tucanos, parentes e amigos de Serra foi feita , segundo a PF, em outubro de 2009.
24. Nessa época, Amaury era funcionário do jornal ‘O Estado de Minas’. Numa tentatvia de tomar distância da encrenca, o petismo insinua que o diário mineiro é próximo de Aecio Neves.
25. Há dois meses, o secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas (PR), declarou que Amaury investigava Serra graças a acerto de Aécio com o jornal.
26. Aécio disputava com Serra a vaga de candidato do PSDB ao Planalto. Daí, segundo Vargas, o interesse em desgastar o correligionário.
27. Ainda de acordo com Vargas, coube a Fernando Pimentel (PT-MG) levar para dentro do comitê de Dilma os dados coletados por Amaury.
28. Aécio classificou a versão do petista Vargas de rematada tolice. Fernando Pimentel não levou o “amigo” a sério.
29. A PF já inquiriu no inquérito do Fiscogate 37 pessoas. Indiciou sete. Entre elas os despachantes Dirceu Rodrigues, Antonio Atella e Fernando Araújo; o Office-boy Ademir Cabral e a servidora Adeildda. Amaury, por ora, não foi indiciado.
Sindicância aponta novos elos do caso Erenice
O esquema de tráfico de influência comandado pelo filho da ex-ministra Erenice Guerra usava não apenas a estrutura da Casa Civil mas também a de pelo menos outros dois órgãos da Presidência da República: a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), informa reportagem de Andreza Matais e Felipe Coutinho, publicada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo(íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Computadores e funcionários dessas outras duas repartições foram utilizados pelo grupo de amigos de Israel Guerra, filho de Erenice que era peça central do contato de empresários com negócios do governo --cobrando uma "taxa de sucesso" pelo tráfico de influência.
Computadores e funcionários dessas outras duas repartições foram utilizados pelo grupo de amigos de Israel Guerra, filho de Erenice que era peça central do contato de empresários com negócios do governo --cobrando uma "taxa de sucesso" pelo tráfico de influência.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Três motivos para não votar 13/13
Mesmo sem ter a intenção de influenciar o voto de quem quer que seja, eu tenho três bons motivos para não votar na Dilma:
1. Rolo compressor no Congresso: a coligação formada pelo PT/PMDB/PR/PTB/PP/PDT e demais aliados elegeu 2/3 do Congresso Nacional; com a possibilidade da eleição da Dilma no segundo turno, todos os projetos de interesse do Poder Executivo terão prioridades na tramitação em detrimento de qualquer outro; é o enfraquecimento do Poder Legislativo com todas as suas conseqüências negativas; com ameaças concretas de mudanças na Constituição Federal do tipo - implantação de controle sobre a imprensa/alteração no conceito de propriedade/alteração na questão de invasão de terra/abafamento de escândalos/não abertura de CPI/ etc.
2. A recriação da CPMF: atribui-se à derrubada do conhecido “imposto do cheque” as dificuldades do sistema de saúde; durante toda a campanha do PT no primeiro turno, inclusive no Pará, muito se justificou o caos na saúde a ausência dos recursos da CPMF; com maioria no Congresso o imposto tem tudo para ser recriado e ampliada a carga tributária sobre os nossos ombros;
3. Ampliação do tamanho da máquina estatal: o orçamento da União destina algo em torno de um por cento para investimento, pois o restante dos recursos vai para pagamento da dívida e manutenção da máquina estatal; com a permanência do governo do PT na Presidência da República, a “cumpanheirada” vai aumentar e conseqüentemente vai precisar de mais recurso para custear a farra; advinha quem vai pagar a conta.
Por esses e outros motivos é que vou de 90; ou seja, 45 para Presidente e 45 para governador.
E confirma!!!!!
1. Rolo compressor no Congresso: a coligação formada pelo PT/PMDB/PR/PTB/PP/PDT e demais aliados elegeu 2/3 do Congresso Nacional; com a possibilidade da eleição da Dilma no segundo turno, todos os projetos de interesse do Poder Executivo terão prioridades na tramitação em detrimento de qualquer outro; é o enfraquecimento do Poder Legislativo com todas as suas conseqüências negativas; com ameaças concretas de mudanças na Constituição Federal do tipo - implantação de controle sobre a imprensa/alteração no conceito de propriedade/alteração na questão de invasão de terra/abafamento de escândalos/não abertura de CPI/ etc.
2. A recriação da CPMF: atribui-se à derrubada do conhecido “imposto do cheque” as dificuldades do sistema de saúde; durante toda a campanha do PT no primeiro turno, inclusive no Pará, muito se justificou o caos na saúde a ausência dos recursos da CPMF; com maioria no Congresso o imposto tem tudo para ser recriado e ampliada a carga tributária sobre os nossos ombros;
3. Ampliação do tamanho da máquina estatal: o orçamento da União destina algo em torno de um por cento para investimento, pois o restante dos recursos vai para pagamento da dívida e manutenção da máquina estatal; com a permanência do governo do PT na Presidência da República, a “cumpanheirada” vai aumentar e conseqüentemente vai precisar de mais recurso para custear a farra; advinha quem vai pagar a conta.
Por esses e outros motivos é que vou de 90; ou seja, 45 para Presidente e 45 para governador.
E confirma!!!!!
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