Do Verissimo no Blog do Noblat
Alguma coisa aconteceu no coração do Brasil quando acabaram com as lutas de “catch”. Elas eram um sucesso na TV e seus astros viajavam em caravanas pelo país, apresentando-se em ginásios e circos. As lutas não eram lutas, eram teatro. Não eram exatamente combinadas, mas seguiam um roteiro estabelecido e havia um acordo tácito de que ninguém sairia do ringue machucado, mesmo que saísse arremessado.
O roteiro básico não variava: era os bons contra os maus, e os bons sempre ganhavam. Ou só perdiam quando o adversário traiçoeiro recorria a um golpe especialmente baixo, sob uivos de raiva da plateia. E a reação da plateia fazia parte do teatro. Havia uma suspensão voluntária de descrença, e todos torciam pelo Bem contra o Mal — ou
pelo bonito contra o feio, o esbelto contra a barrigudo, o correto contra o falso — com um fervor que não excluía a consciência de que era tudo encenação.
Era fácil distinguir os bons e os maus. Os bons eram atletas como o Ted Boy Marino, caráter tão irretocável quanto os seus cabelos loiros, que lutava limpo. Os maus tinham nomes como Verdugo e Rasputin, e comportamento correspondente ao nome. Lembro de um Homem Montanha, que mais de uma vez derrubou o juiz junto com o adversário. E não havia um Tigre Paraguaio?
Os bons geralmente começavam apanhando e, quando parecia que estavam liquidados e que o Mal triunfaria, vinha a eletrizante reação, durante a qual o inimigo pagava por todas as suas maldades. Humilhação e vingança, nada na história do teatro é tão antigo e tão eficaz. Nove entre dez novelas de televisão têm o mesmo enredo.
Não sei se ainda fazem espetáculos de “catch” pelo interior do país. Hoje na TV o que se vê é o “ultimate fighting”, ou “mixed martial arts”, dois lutadores simbolizando nada trocando socos e pontapés sem simulação, quando não se engalfinham no chão como um bicho de duas costas e oito patas em convulsão.
Nessas lutas não vale, exatamente, tudo — parece que esgoelar o outro e xingar a mãe não pode. Mas é o “catch” despido da fantasia, com sangue de verdade. Não há mais mocinho e vilão, apenas duas máquinas de brigar, brigando.
Nem Ted Boy Marino nem Homem Montanha, apenas a violência em estado puro. Sei não, acho que empobrecemos.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A cara do governo Dilma Rousseff.
Blog de Augusto Nunes
“É impossível administrar com tanta gente”, resumiu o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Gestão. Um primeiro escalão com 38 integrantes é coisa de doido, confirma a foto da reunião ministerial desta segunda-feira. Mas Gerdau, chefe do grupo escalado por Dilma para apresentar propostas que tornem o governo mais ágil e menos ineficaz, está perdendo tempo. As sugestões vão naufragar no mar das conveniências político-financeiras.
Para satisfazer a gula do PT e da base alugada, a presidente não pode desativar nenhum cabideiro de empregos, muito menos fechar alguma fábrica de maracutaias.
A fala da presidente durou 30 minutos. Se quisesse saber o que andou fazendo o pior ministério de todos os tempos, cada pai-da-pátria precisaria de pelo menos 15 para explicar por que não fez o que prometeu ou combinou. Total: 570 minutos.
Tamanha discurseira exigiria, no mínimo, dois intervalos de 15 minutos. Mais meia hora. Tudo somado, a reunião consumiria 630 minutos. Ou 10 horas e meia. Para quê? Para nada. Dilma tanto sabe disso que tratou de dispensar a turma de justificativas já na abertura do encontro. “Eu não quero balanço”, informou a voz na fronteira que separa a advertência do rosnado.
Melhor assim. O PAC é um balaio de fantasias esquecidas, projetos encalhados, canteiros de obras desertos, cronogramas atrasados e ruínas prematuras.
As águas do São Francisco só chegaram ao sertão do Brasil Maravilha registrado em cartório. Os flagelados da Região Serrana seguem à espera das 6 mil casas prometidas para julho de 2011. As 6 mil creches da campanha continuam nos palanques. O Enem do primeiro semestre foi cancelado.
Os figurões do governo tratam até resfriado em hospitais particulares. Há 12 meses no cargo, Dilma não presidiu nenhuma inauguração relevante. Nenhuma. Os casos de polícia protagonizados por ministros foram infinitamente mais numerosos que os fatos admistrativos produzidos pelo primeiro escalão.
Vale a pena ver de novo a multidão de nulidades contemplando a chefe invisível ou fingindo anotar os melhores momentos de outro discurso sobre o nada.
“É impossível administrar com tanta gente”, resumiu o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Gestão. Um primeiro escalão com 38 integrantes é coisa de doido, confirma a foto da reunião ministerial desta segunda-feira. Mas Gerdau, chefe do grupo escalado por Dilma para apresentar propostas que tornem o governo mais ágil e menos ineficaz, está perdendo tempo. As sugestões vão naufragar no mar das conveniências político-financeiras.
Para satisfazer a gula do PT e da base alugada, a presidente não pode desativar nenhum cabideiro de empregos, muito menos fechar alguma fábrica de maracutaias.
A fala da presidente durou 30 minutos. Se quisesse saber o que andou fazendo o pior ministério de todos os tempos, cada pai-da-pátria precisaria de pelo menos 15 para explicar por que não fez o que prometeu ou combinou. Total: 570 minutos.
Tamanha discurseira exigiria, no mínimo, dois intervalos de 15 minutos. Mais meia hora. Tudo somado, a reunião consumiria 630 minutos. Ou 10 horas e meia. Para quê? Para nada. Dilma tanto sabe disso que tratou de dispensar a turma de justificativas já na abertura do encontro. “Eu não quero balanço”, informou a voz na fronteira que separa a advertência do rosnado.
Melhor assim. O PAC é um balaio de fantasias esquecidas, projetos encalhados, canteiros de obras desertos, cronogramas atrasados e ruínas prematuras.
As águas do São Francisco só chegaram ao sertão do Brasil Maravilha registrado em cartório. Os flagelados da Região Serrana seguem à espera das 6 mil casas prometidas para julho de 2011. As 6 mil creches da campanha continuam nos palanques. O Enem do primeiro semestre foi cancelado.
Os figurões do governo tratam até resfriado em hospitais particulares. Há 12 meses no cargo, Dilma não presidiu nenhuma inauguração relevante. Nenhuma. Os casos de polícia protagonizados por ministros foram infinitamente mais numerosos que os fatos admistrativos produzidos pelo primeiro escalão.
Vale a pena ver de novo a multidão de nulidades contemplando a chefe invisível ou fingindo anotar os melhores momentos de outro discurso sobre o nada.
Cinturas Avantajadas.
Drauzio Varella
Gordura acumulada na cintura está mais associada a doenças crônicas do que aquela presente nos quadris.
Diversos estudos sugerem que a circunferência abdominal e a relação numérica entre ela e a do quadril permitem prever o risco de adoecer, de forma mais precisa do que o peso ou o índice de massa corpórea (IMC = peso/ altura x altura).
As recomendações atuais são as de que a circunferência abdominal não ultrapasse 102 cm nos homens ou 88 cm nas mulheres. Já a relação circunferência abdominal/circunferência do quadril não deve ser maior do que 1,0 nos homens e 0,85 nas mulheres.
A circunferência do abdômen deve ser medida na parte mais estreita da cintura ou a partir do ponto situado na metade da distância que separa as últimas costelas da parte superior do osso ilíaco. A medida da circunferência dos quadris deve ser efetuada na altura do maior diâmetro horizontal.
Embora a associação entre essas medidas e o aparecimento de doenças degenerativas tenha sido demonstrada em diversos estudos, a que existe entre elas e o risco de morte não estava clara.
Para esclarecer essa questão, acaba de ser publicado o European Prospective Investigation into Cancer e Nutrition (EPIC), que acompanhou uma coorte de 359.387 mulheres e homens de 25 a 70 anos (média = 51,5 anos), em dez países da Europa, durante um período médio de dez anos.
Todos os participantes foram medidos (altura, peso, circunferência abdominal e relação cintura/quadril) e responderam questionários para informar as características sociodemográficas e do estilo de vida, história médica, fumo, consumo de álcool e prática de atividade física.
No período médio de dez anos ocorreram 14.723 mortes: 5429 causadas por neoplasias malignas, 3443 por doenças cardiovasculares, 637 por enfermidades respiratórias e 2209 por causas diversas.
A relação entre o IMC e o risco de morte foi não linear, já que o risco foi mais elevado tanto no grupo com IMC mais alto quanto naquele mais baixo. Apresentaram os menores índices de morte os homens com IMC médio de 25,3 e as mulheres com IMC médio de 24,3.
Em cada valor do IMC, para cada aumento de 5 cm na circunferência abdominal o risco de morte cresceu 17% nos homens e 13% nas mulheres. Para cada aumento de 0,1 unidade na relação entre a circunferência abdominal e a dos quadris o risco de morte cresceu 34% nos homens e 24% nas mulheres.
Ao contrário da circunferência abdominal, a circunferência dos quadris como medida isolada não guardou relação com o risco de morte.
Houve uma associação positiva entre risco de morte e aumento da circunferência abdominal mesmo nos participantes com IMC normal.
Apresentaram risco relativo de morte por doenças cardiovasculares mais elevado as mulheres e homens com IMC mais alto. Já as mortes por doenças respiratórias estiveram associadas com mais frequência aos valores mais altos da circunferência abdominal ou aos da relação cintura/quadril.
A gordura não é simples depósito de energia para ser mobilizado em épocas de vacas magras; o tecido adiposo é metabolicamente ativo, particularmente aquele depositado entre as vísceras. Ele secreta mediadores inflamatórios potencialmente ligados ao desenvolvimento de doenças crônicas. Essa propriedade explica por que a gordura abdominal aumenta o risco de morte mesmo naqueles com valores mais baixos do IMC.
Já a relação cintura/quadril tem relação menos clara com o IMC e talvez seja apenas um marcador da distribuição de gordura.
O grande número de participantes do estudo europeu permitiu demonstrar que a circunferência abdominal é fator de risco independente do peso corpóreo e do IMC. Pessoas que estão na faixa da normalidade do IMC, mas que apresentam acúmulo excessivo de gordura abdominal, devem se preocupar tanto quanto aquelas que estão com excesso de peso.
Gordura acumulada na cintura está mais associada a doenças crônicas do que aquela presente nos quadris.
Diversos estudos sugerem que a circunferência abdominal e a relação numérica entre ela e a do quadril permitem prever o risco de adoecer, de forma mais precisa do que o peso ou o índice de massa corpórea (IMC = peso/ altura x altura).
As recomendações atuais são as de que a circunferência abdominal não ultrapasse 102 cm nos homens ou 88 cm nas mulheres. Já a relação circunferência abdominal/circunferência do quadril não deve ser maior do que 1,0 nos homens e 0,85 nas mulheres.
A circunferência do abdômen deve ser medida na parte mais estreita da cintura ou a partir do ponto situado na metade da distância que separa as últimas costelas da parte superior do osso ilíaco. A medida da circunferência dos quadris deve ser efetuada na altura do maior diâmetro horizontal.
Embora a associação entre essas medidas e o aparecimento de doenças degenerativas tenha sido demonstrada em diversos estudos, a que existe entre elas e o risco de morte não estava clara.
Para esclarecer essa questão, acaba de ser publicado o European Prospective Investigation into Cancer e Nutrition (EPIC), que acompanhou uma coorte de 359.387 mulheres e homens de 25 a 70 anos (média = 51,5 anos), em dez países da Europa, durante um período médio de dez anos.
Todos os participantes foram medidos (altura, peso, circunferência abdominal e relação cintura/quadril) e responderam questionários para informar as características sociodemográficas e do estilo de vida, história médica, fumo, consumo de álcool e prática de atividade física.
No período médio de dez anos ocorreram 14.723 mortes: 5429 causadas por neoplasias malignas, 3443 por doenças cardiovasculares, 637 por enfermidades respiratórias e 2209 por causas diversas.
A relação entre o IMC e o risco de morte foi não linear, já que o risco foi mais elevado tanto no grupo com IMC mais alto quanto naquele mais baixo. Apresentaram os menores índices de morte os homens com IMC médio de 25,3 e as mulheres com IMC médio de 24,3.
Em cada valor do IMC, para cada aumento de 5 cm na circunferência abdominal o risco de morte cresceu 17% nos homens e 13% nas mulheres. Para cada aumento de 0,1 unidade na relação entre a circunferência abdominal e a dos quadris o risco de morte cresceu 34% nos homens e 24% nas mulheres.
Ao contrário da circunferência abdominal, a circunferência dos quadris como medida isolada não guardou relação com o risco de morte.
Houve uma associação positiva entre risco de morte e aumento da circunferência abdominal mesmo nos participantes com IMC normal.
Apresentaram risco relativo de morte por doenças cardiovasculares mais elevado as mulheres e homens com IMC mais alto. Já as mortes por doenças respiratórias estiveram associadas com mais frequência aos valores mais altos da circunferência abdominal ou aos da relação cintura/quadril.
A gordura não é simples depósito de energia para ser mobilizado em épocas de vacas magras; o tecido adiposo é metabolicamente ativo, particularmente aquele depositado entre as vísceras. Ele secreta mediadores inflamatórios potencialmente ligados ao desenvolvimento de doenças crônicas. Essa propriedade explica por que a gordura abdominal aumenta o risco de morte mesmo naqueles com valores mais baixos do IMC.
Já a relação cintura/quadril tem relação menos clara com o IMC e talvez seja apenas um marcador da distribuição de gordura.
O grande número de participantes do estudo europeu permitiu demonstrar que a circunferência abdominal é fator de risco independente do peso corpóreo e do IMC. Pessoas que estão na faixa da normalidade do IMC, mas que apresentam acúmulo excessivo de gordura abdominal, devem se preocupar tanto quanto aquelas que estão com excesso de peso.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
O PESO LEVE DO PMDB.
RICARDO NOBLAT
Que houve? Agenda cheia? Esquecimento? Descortesia calculada? Ou indo além: simplesmente desprezo?
Michel Temer, 71 anos, vice-presidente da República, foi operado no último dia três no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, para a retirada de pedras da vesícula.
Sabe o grau de atenção que lhe dedicou a presidente Dilma?
Grau zero.
Temer ficou de três a quatro dias no hospital. Depois foi para sua casa na capital paulista. Enquanto se recuperava para voltar ao Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá, em Brasília, Dilma esteve duas vezes em São Paulo. Não o visitou.
O mais formidável: não lhe deu um único telefonema.
Na terça-feira passada, o nome de Temer apareceu na agenda oficial de audiências concedidas por Dilma. Não foi a primeira vez que ela o recebeu. Foi a primeira vez que o nome dele ganhou espaço na agenda.
Para quê? Para sugerir que Temer seria ouvido sobre a reforma ministerial.
Era só o que faltava!
Temer usufrui o que o ex-general Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da República do regime militar de 64, chamou de “as miçangas do poder” – mas é só. Dê-se por satisfeito.
Seu papel é decorativo e protocolar. Não participa de decisões relevantes – fica sabendo delas depois.
Dilma comunicou a Temer que a reforma se limitaria à substituição de Fernando Haddad por Aluizio Mercante no ministério da Educação – e de Mercadante por um técnico no ministério da Ciência e Tecnologia.
Lula fez Haddad ministro do governo Dilma. Tirou-o de lá para disputar a prefeitura de São Paulo.
Não foi a reforma dos sonhos de Dilma. Nem a dos partidos.
Dilma sonhou com uma reforma que implicasse na troca de ministros, na extinção pura e simples de alguns dos atuais 38 ministérios e na fusão de outros.
Acabou forçada pela imprensa a demitir por antecipação seis ministros envolvidos com supostos malfeitos.
Por fim, Lula (sempre ele) deteve a mão de Dilma antes que ela baixasse com o cutelo sobre o pescoço de outros auxiliares.
Que diabo você imaginava fazer, Dilminha? Um assassinato em massa?
Queria acabar abandonada pelos partidos reunidos com tanto trabalho para apoiá-la?
O PT quis emplacar o sucessor de Mercadante no ministério da Ciência e Tecnologia. Aí foi Dilma que não deixou e emplacou seu próprio candidato.
Dilma quis trocar Mário Negromonte, ministro das Cidades da cota do PP, por Márcio Fortes, seu queridinho. Aí foi o PP que não deixou.
Partido algum desejou tanto a reforma quanto o esvaziado PMDB, dono da segunda maior bancada de deputados federais e da primeira de senadores.
O PT exibe um vigoroso plantel de 13 ministros. O PMDB, de cinco – Agricultura, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Assuntos Estratégicos.
Os cinco valem pouquíssimo. Nenhum faz política pública capaz de mudar a vida das pessoas. Ou melhor: o de Minas e Energia faz.
O ministro, ali, é Edison Lobão, senador do PMDB do Maranhão. Mas o ministério é feudo de Dilma.
Porque sabe disso, Lobão se dá bem com ela e vai sobrevivendo.
A maioria dos ministros não se dá bem com Dilma.
Correção: Dilma não se dá bem com a maioria dos ministros. Prefere governar com os secretários-gerais dos ministérios – parcela expressiva deles escolhida por ela.
Dilma escalou no mínimo quatro dos cinco secretários de ministérios do PMDB.
Cresce de forma velada a chiadeira de políticos e de partidos com a presidente. E até o PT não deixa de chiar pelos cantos.
Afinal, quem gosta de ouvir desaforos? Quem tolera ser humilhado? Quem se conforma em ser mantido à distância? Nem mesmo Luíza, que estava no Canadá.
Conseqüências? Por enquanto nenhuma.
Que Dilma continue tocando tudo ao seu modo – desde que Lula concorde, naturalmente.
Com a economia nos trinques, o brasileiro está bestificado. E a popularidade de Dilma sobe como um foguete. Mais adiante...
Bem, mais adiante o PMDB se dividirá. Outros partidos abandonarão o governo. E a eleição de 2014 talvez não seja tão fácil para o PT como foi a mais recente.
Que houve? Agenda cheia? Esquecimento? Descortesia calculada? Ou indo além: simplesmente desprezo?
Michel Temer, 71 anos, vice-presidente da República, foi operado no último dia três no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, para a retirada de pedras da vesícula.
Sabe o grau de atenção que lhe dedicou a presidente Dilma?
Grau zero.
Temer ficou de três a quatro dias no hospital. Depois foi para sua casa na capital paulista. Enquanto se recuperava para voltar ao Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá, em Brasília, Dilma esteve duas vezes em São Paulo. Não o visitou.
O mais formidável: não lhe deu um único telefonema.
Na terça-feira passada, o nome de Temer apareceu na agenda oficial de audiências concedidas por Dilma. Não foi a primeira vez que ela o recebeu. Foi a primeira vez que o nome dele ganhou espaço na agenda.
Para quê? Para sugerir que Temer seria ouvido sobre a reforma ministerial.
Era só o que faltava!
Temer usufrui o que o ex-general Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da República do regime militar de 64, chamou de “as miçangas do poder” – mas é só. Dê-se por satisfeito.
Seu papel é decorativo e protocolar. Não participa de decisões relevantes – fica sabendo delas depois.
Dilma comunicou a Temer que a reforma se limitaria à substituição de Fernando Haddad por Aluizio Mercante no ministério da Educação – e de Mercadante por um técnico no ministério da Ciência e Tecnologia.
Lula fez Haddad ministro do governo Dilma. Tirou-o de lá para disputar a prefeitura de São Paulo.
Não foi a reforma dos sonhos de Dilma. Nem a dos partidos.
Dilma sonhou com uma reforma que implicasse na troca de ministros, na extinção pura e simples de alguns dos atuais 38 ministérios e na fusão de outros.
Acabou forçada pela imprensa a demitir por antecipação seis ministros envolvidos com supostos malfeitos.
Por fim, Lula (sempre ele) deteve a mão de Dilma antes que ela baixasse com o cutelo sobre o pescoço de outros auxiliares.
Que diabo você imaginava fazer, Dilminha? Um assassinato em massa?
Queria acabar abandonada pelos partidos reunidos com tanto trabalho para apoiá-la?
O PT quis emplacar o sucessor de Mercadante no ministério da Ciência e Tecnologia. Aí foi Dilma que não deixou e emplacou seu próprio candidato.
Dilma quis trocar Mário Negromonte, ministro das Cidades da cota do PP, por Márcio Fortes, seu queridinho. Aí foi o PP que não deixou.
Partido algum desejou tanto a reforma quanto o esvaziado PMDB, dono da segunda maior bancada de deputados federais e da primeira de senadores.
O PT exibe um vigoroso plantel de 13 ministros. O PMDB, de cinco – Agricultura, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Assuntos Estratégicos.
Os cinco valem pouquíssimo. Nenhum faz política pública capaz de mudar a vida das pessoas. Ou melhor: o de Minas e Energia faz.
O ministro, ali, é Edison Lobão, senador do PMDB do Maranhão. Mas o ministério é feudo de Dilma.
Porque sabe disso, Lobão se dá bem com ela e vai sobrevivendo.
A maioria dos ministros não se dá bem com Dilma.
Correção: Dilma não se dá bem com a maioria dos ministros. Prefere governar com os secretários-gerais dos ministérios – parcela expressiva deles escolhida por ela.
Dilma escalou no mínimo quatro dos cinco secretários de ministérios do PMDB.
Cresce de forma velada a chiadeira de políticos e de partidos com a presidente. E até o PT não deixa de chiar pelos cantos.
Afinal, quem gosta de ouvir desaforos? Quem tolera ser humilhado? Quem se conforma em ser mantido à distância? Nem mesmo Luíza, que estava no Canadá.
Conseqüências? Por enquanto nenhuma.
Que Dilma continue tocando tudo ao seu modo – desde que Lula concorde, naturalmente.
Com a economia nos trinques, o brasileiro está bestificado. E a popularidade de Dilma sobe como um foguete. Mais adiante...
Bem, mais adiante o PMDB se dividirá. Outros partidos abandonarão o governo. E a eleição de 2014 talvez não seja tão fácil para o PT como foi a mais recente.
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