sábado, 29 de dezembro de 2012

Tudo ao avesso.


PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA
J .R. GUZZO
O que aconteceria se um belo dia, de passagem por São Paulo, o dr. Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, recebesse um grupo de voluntários empenhados em alguma causa com méritos indiscutíveis ─ uma entidade que luta contra o câncer infantil, por exemplo ─ e ouvisse deles o seguinte pedido: o banco poderia nos ceder, por caridade, um conjunto de salas no 17° andar do prédio que tem na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta? Precisamos com urgência de espaço nessa área da cidade, e, se a gente pudesse economizar com o pagamento de aluguel, sobraria mais dinheiro para salvar a vida de nossas crianças. “Não pode”, diria na hora o dr. Bendine. “Isso aqui é uma empresa do estado brasileiro. Sabem quanto está valendo o aluguel de um imóvel por aqui? Não se acha nada por menos de 120 reais o metro quadrado. Não dá para ceder de graça uma área assim.” O presidente do BB poderia acrescentar um outro argumento: mesmo que concordasse com o pedido, a Advocacia-Geral da União, que tem por obrigação defender o patrimônio público, jamais aprovaria uma coisa dessas. Fim da conversa.
E se o mesmo pedido fosse feito pelo presidente da República, interessado em instalar nesse 17° andar uma espécie de sucursal paulista do seu gabinete no Palácio do Planalto? O local, como ficou comprovado há pouco, servia como escritório particular de uma quadrilha de delinquentes, segundo a definição da Polícia Federal, do Ministério Público e do próprio ministro da Justiça. O dr. Bendine, diga-se logo, não tem nada a ver com isso; nem era presidente do Banco do Brasil na ocasião em que o espaço foi entregue a uma amiga pessoal do ex-presidente Lula e seus associados, que no momento se preparam para responder a uma ação penal por diversas modalidades de ladroagem. Sorte dele. Seu antecessor, que recebeu a ordem de “disponibilizar” a área, disse “sim, senhor”. E o que poderia ter feito de diferente? Se tivesse, como no caso dos bons samaritanos imaginado acima, a mesma valentia para defender o interesse estatal, seria posto na rua antes de se encerrar o expediente do dia. Ou seja: dez anos de convívio com a moral que Lula e o PT trouxeram para o governo ensinam que o patrimônio público é uma coisa muito relativa no Brasil de hoje. Não pode ser usado em benefício próprio por uns, mas pode por outros ─ e quem não souber a diferença vai ter uma carreira muito curta neste governo dedicado à causa popular.
Eis aí o que Lula, a presidente Dilma Rousseff e o PT criaram de realmente original com sua conduta à frente do governo ─ um país ao avesso, onde o triângulo não tem três lados, mas quantos lados eles acharem que lhes convém. É um mundo onde não existem fatos; só é verdade aquilo que o governo diz que é verdade. No caso da amiga de Lula e dos escroques associados a ela, o ministro da Justiça admitiu no Congresso que havia, sim, uma “quadrilha”, mas decretou que sua existência nos galhos mais altos do governo não tem a menor importância, pois não há provas de que Lula tenha sido beneficiado pela gangue. Sua única participação no caso foi ter nomeado a diretora do tal gabinete. “Só” isso? Sim, só isso; qual é o problema? Além do mais, segundo o ministro, os envolvidos no bando tinham um “papel secundário” na administração pública. Como assim? A chefe do escritório paulista acompanhou Lula em trinta viagens internacionais. Os funcionários “menores” mandavam em agências-chave na máquina federal; um outro era nada menos que o braço-direito do responsável pela Advocacia-Geral da União, onde se dedicava a advogar contra os interesses da União. Seu chefe declarou-se “magoado” com ele, e a presidente Dilma decidiu que essa declaração era uma esplêndida solução para o contratempo todo. O secretário-geral da Presidência, enfim, completou a verdade petista dizendo que só “um ou outro” gângster faz, de vez em quando, alguma coisinha errada no governo.
Deve-se ao sr. secretário, também, a melhor definição do pensamento oficial diante da corrupção no Brasil de 2012: seja lá o que acontecer, nada tem importância, porque “Lula é endeusado por onde passa”. Eis aí uma teoria realmente revolucionária para o direito penal moderno: “Estão previamente absolvidos de qualquer acusação, por mais que baseada em fatos, todos os cidadãos que tiverem índices de popularidade superiores a X%”. O resultado prático de tudo isso só pode ser um: a bandalheira vai continuar a toda, e promete ocupar um espaço cada vez maior na biografia de Lula e de todos os que sobrevivem à sua custa.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MAPA BRASILEIRO

O governo Dilma tem muita vontade. E nenhum planejamento estratégico.
Anunciou o propósito de investir até 23% do PIB. Não passa de 18%. Proclamou também crescimento de 4% ao ano. Não alcança 2%. Entre 2011/12, o Brasil cresce menos do que Chile, Colômbia, México e Peru. E investe menos do que Chile e México. Sem falar que é o país que menos cresce entre os BRICs (Rússia, Índia, China e África do Sul).
O Brasil tem tradição de planejamento. Possui preparada agência de elaboração de planos e programas, o IPEA. Uma sequência de planos bem formulados desde o PAEG de Roberto Campos / Otavio Bulhões, nos anos 60. Até os planos nacionais de desenvolvimento, PND, de Reis Velloso, nos anos 70. A última produção de qualidade foi o plano Real, de FHC, que implantou, com êxito, nova moeda e possibilitou a estabilização da economia. Isso faz dez anos. De lá para cá, a economia navegou por ações conjunturais de curto prazo. Sem visão estratégica.
O governo Lula manteve o tripé que garantiu bom desempenho do sistema: monitoramento e respeito a metas de inflação, superávit fiscal ajudado pela lei de responsabilidade fiscal e câmbio flexível. O governo Dilma namora excessiva flexibilização das metas de inflação. E tenta segurar a taxa de paridade do câmbio.
A tática recente
O governo Lula enfrentou a crise de 2008 ajudado pelo ciclo de bonança da economia internacional. A China continuava importando as commodities brasileiras. A estagnação ainda não se instalara na Europa.
O governo Dilma, a partir de 2010, buscou dinamizar a economia por meio da combinação de mais dinheiro e menos imposto. Foram três medidas: ampliação da oferta de crédito às famílias, redução do IPI para carros e bens da linha branca, e fortalecimento do setor de construção civil (programa Minha casa, Minha Vida).
Esse conjunto de ações insere-se na perspectiva de animar o crescimento por meio da microeconomia. Mas tem horizonte curto. As famílias estão endividadas, diminuição de IPI não é mais atrativo e programa habitacional tem limites.
Do lado da confiança dos agentes privados no ambiente de negócios, o governo Dilma produz política ambígua. Por duas razões: na privatização de aeroportos (que o governo chama de concessão por causa do patrulhamento ideológico), manteve a Infraero como sócia dos empreendedores. E, no caso de renovação das concessões para empresas de energia elétrica visando diminuir tarifas, atuou de forma pouco negociada.
O resultado é que o governo apresenta dubiedade que (des)incentiva os empresários. Em aparente neo intervencionismo que talvez reflita voluntarismo, desejo de apressar as coisas. Mas, na prática, funciona ao reverso. Nesse cenário, a notável queda de juros termina não estimulando investimento privado.
O nó da indústria
Para crescer o país precisa investir. Investimento público e privado. O governo, obeso, tem elevado custeio administrativo para manter mais de trinta ministérios. E investe menos de 3% do PIB.
O setor industrial tem participação decisiva nesse sentido. Mas, a taxa de formação bruta de capital fixo, que reflete investimento, vem declinando no Brasil nos recentes cinco anos. Uma causa importante é o aumento do preço relativo dos bens de capital, isto é, máquinas e equipamentos industriais.
Nos demais países, o preço desses bens têm se mantido constantes ou cadentes. No Brasil, por causa do protecionismo às empresas nacionais, o preço apresenta crescimento contínuo. Ampliando o custo do investimento privado e inibindo a iniciativa das empresas.
O modelo em cima de excitação do consumo e proteção industrial esgotou-se.
O lapso das reformas
O mundo globalizado muda rapidamente. E, com ele, a economia transforma-se sem parar. O governo não acompanha essas mudanças. Por exemplo: não moderniza o sistema tributário que impõe ao contribuinte mais de cinquenta tipos de tributos, entre impostos, taxas e contribuições.
Ao invés de estimular a adoção de modelo de mercado, induz as empresas a mergulhar em modelo de negócios. A diferença é simples e fatal: modelo de mercado valoriza tecnologia, produtividade e competição. Modelo de negócio ressalta dinheiro subsidiado, protecionismo e falta de inovação.
Visão estratégica
Um país com a complexidade social e produtiva do Brasil tem de saber para onde vai. O que significa isso ? Significa definir quais são as prioridades que vão levar a sociedade a determinado estágio de desenvolvimento e bem estar.
Dois exemplos: pacto federativo e projeto de Nação.
Pacto federativo não é só redistribuição de receita pública entre União, Estados e municípios. É organizar um modelo moderno e funcional de receitas e encargos entre os entes federativos. Quem faz o que ? Quem deve administrar a educação de primeiro, segundo e terceiro graus ? Como deve ser cuidado o financiamento, a política e a execução dos programas de saneamento ? Como devem ser articuladas e gerenciadas as ações de segurança pública ?
Projeto de Nação é antecipar o que queremos ser, como sociedade, em 2030, ou 2040. E o que temos de fazer para concretizar tal cenário. A Coréia do Sul, em quarenta anos, com base em investimentos continuados em educação e tecnologia, tornou-se uma das mais competitivas economias do planeta. Um país menor do que a Bahia.
No relatório Competitividade Brasil 2012, publicado pela CNI, estão ranqueados quatorze países. Desde Argentina e México, passando por Índia, China e Canadá. Pois bem, o Brasil só é mais competitivo do que a Argentina.
Não temos outra saída na sociedade do conhecimento em que o mundo globalizado ingressou. Estamos condenados ao binômio educação e tecnologia. Para isso, precisamos investir em pesquisa e inovação. Educação, tecnologia, pesquisa e inovação. Este é o mapa brasileiro para o século 21.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O que desejo.

Manter contato é muito bom, porém a correria cotidiana dificulta em muito essa prática que deveria ser constante entre nós.
 Por isso aproveito este momento de final de ano, propenso as reflexões e, busco na memória cada um daquele que é ou se tornou importante para mim durante os últimos 365 dias para endereçar-lhes as minhas saudações.
Junto a essas saudações gostaria que refletíssemos sobre o que desejar ao outro no final de ano.
Imagino que seja importante antes de exteriorizar um desejo de “Paz” buscássemos construí-la internamente em nós mesmos durante o nosso dia a dia.
Com a Paz em construção e antes de exteriorizar um desejo de “Felicidade” gostaria que buscássemos entender que a felicidade não é uma meta fixa e sim uma busca constante e que ela não pode ser só nossa, guardada para uso próprio.
Antes de desejar “Boas Festas e Feliz Natal” imaginemos que poderíamos colaborar para que muitas pessoas tenham dias sem fome, sem frio, com teto... e que o Aniversariante esteja sempre em nossos corações.
Aproveito também para unir os pensamentos em torno da necessidade de nos preocuparmos com a situação do planeta Terra, tanto no seu aspecto físico como no aspecto moral.
E, finalmente gostaria de agradecer ao Criador a oportunidade de ter amigos e poder compartilhar os mais profundos desejos de estar sempre disponível todos os dias de nossas vidas.
 
MB

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

RECORDAÇÃO DO NATAL.

 
 
Não permitas que o júbilo do Natal vibre em teu coração, à maneira de uma lâmpada encarcerada...

Toma o facho de luz, que a mensagem do Céu acende ao redor de teus passos e estende-lhe a claridade sublime.

Não te detenhas.

Avança, com alegria e humildade.

Se a fé resplandece em teu santuário interior, que importam a ventania e o temporal?

O sol, cada manhã, penetra os recôncavos do abismo, sem contaminar-se.

Segue, invencível em tua esperança e sereno em tua coragem, sob a inspiração da fraternidade e da paz!...

Sê um raio estelar da sabedoria, para a noite da ignorância; sê a gota de orvalho da consolação e do carinho, que diminua a tensão do sofrimento, por onde passes; sê o fio imperceptível da compreensão e do auxílio, que dissipe o nevoeiro da discórdia; sê a frase simples e boa, que ajude e reconforte, onde o fogo do mal esteja crestando as flores do bem...

Um sorriso realiza milagres.

Um gesto amigo ampara a multidão.

Com algumas palavras, o Cristo articulou o roteiro regenerativo do mundo e, com a bênção da própria renúncia, retificou os caminhos da Humanidade.

Renovam-se, no Natal, as vibrações da Estrela do Amor, que exaltou, com Jesus, a glorificação a Deus e ao reino da boa vontade, entre os homens.

Jamais ensurdeçamos, ante o apelo celestial que se repete.

Ampliemos a comunhão fraterna e louvemos a cooperação, porque, anualmente, o Cristo nos requisita à verdadeira solidariedade, a fim de que, em nos tornando mais irmãos uns dos outros, possa Ele nascer, em espírito, na manjedoura do nosso coração, transformando em incessante e divino Natal todo os dias da nossa vida.



Emmanuel



(Cap. 74 do livro "ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL", psicografia de Chico Xavier, ditado por Espíritos Diversos.)